Ser Voluntário

por Andreia Costa, Presidente da Associação Rising Child

Se algum de vocês me perguntar: “Qual a tarefa mais difícil que lhe podem pedir para fazer?”

Responderei sem hesitar: “Falar sobre mim!”

Agora imaginem o esforço que terei de fazer para falar sobre o meu percurso, de forma a inspirar outros a fazerem o mesmo. Não pensem que tal está relacionado com questões de querer “parecer bem aos olhos dos outros”. Está apenas relacionado com uma questão muito simples:
Baixa Autoconfiança! A razão que me leva a partilhar isto com vocês, é a mesma que me fez abordar a causa do voluntariado sem qualquer reserva.
Quando realmente verificamos que não somos criaturas perfeitas, que todos temos falhas e que todos precisamos de algum tipo de ajuda, estamos tão mais disponíveis para ajudar, como para ser ajudados. Mas o que nos levará a abraçar qualquer causa?

Atualmente existem tantas formas fáceis de nos sentirmos “úteis”.
Existem tantos meios disponíveis que permitem a “massagem da alma” que nos elimina qualquer sentimento de “culpa social” por sermos uns “sortudos privilegiados” e termos nascido no local certo do planeta!


É tão mais fácil com “likes” ou “hates” sentirmos que já podemos retirar uma frase bonita da NET e fazer uma tatuagem, como se fosse um carimbo que nos valide como “bons cidadãos”! Até podemos encarar estes atos como solidariedade…

Eu não os vejo assim. 

Eu vejo-os como conivência. Um “assobiar para o lado de mãos nos bolsos (ou nas teclas)” enquanto realmente pensamos medrosamente… o que fazer…como fazer…
Este sentimento de culpa “pelo estado do mundo em que vivemos”, entra-nos na mente por que nos damos conta que afinal, a sociedade até é o resultado da nossa contribuição individual.
Acontece, que só somos invadidos por estes sentimentos quando as situações se tornam nossas “vizinhas”!

Sempre me assombrou uma questão:  

Como se fosse um nevoeiro que encobrisse a luz do meu pensamento solidário: A solidariedade/ voluntariado deverão existir? Não é condição base do estado o bem-estar dos seus cidadãos? O nosso papel não deverá ser o de exigência para com o estado para combater as situações que nos levam à solidariedade/voluntariado?

Por exemplo:
Deveremos todos abraçar a causa social no combate à pobreza, à fome, às desigualdades sociais, às injustiças…?? ou exigir ao estado que não permita estas situações? Onde devemos canalizar a nossa energia? Que sinergias deveremos construir?

Numa sociedade perfeita, a solidariedade e o voluntariado não teriam razão de existir. Mas o tomar de consciência para muitas imperfeições do modelo social em que vivemos, é que me fez avançar com toda a determinação para este “mundo do fazer bem aos outros”. E isto é o que define um voluntário:


UM VOLUNTÁRIO É UM “FAZEDOR”!


Não existe no dicionário uma palavra que defina na integridade o voluntariado.
Podemos procurar as palavras que quisermos, conjugá-las, baralhá-las, enrolá-las, etc…
Mas no final nada definirá mais corretamente o que é ser voluntário. Nós somos o que FAZEMOS!

COMO VOLUNTÁRIOS:
  • Pensamos como se poderia fazer;
  • Construímos projetos mentalmente;
  • Idealizamos planos de ação;
  • Misturamos no nosso quadro mental de como melhorar a vida dos outros;
  • Lutamos moralmente contra todas as barreiras, contra todas as desigualdades, assim como o fazem todas as outras pessoas com “bom coração” e com “valores humanos elevadíssimos”.

Mas no final de este processo interior, a nossa forma de exteriorização é através de:

“FAZERMOS AS COISAS”!

Somos os “fazedores” de um mundo melhor para quem sem nós jamais o conseguiria. Somos os “fazedores” de um mundo melhor para nós próprios, porque engrandecemos como pessoas quando melhoramos o mundo dos outros.
Combatemos o mal e defendemos o bem! Queremos que a vida seja transformada num livro aos quadradinhos mas de final feliz.
Prescindimos do nosso tempo, sacrificamos a nossa família, arruinamos relações, sofremos, choramos, amarguramo-nos… mas o vilão (desigualdade/exclusão, preconceito/estigma) não vencerá.
E acreditamos que a verdadeira recompensa é o sabermos que contribuirmos para um mundo melhor.
E é tudo e apenas isso que eu sou. Mas acreditem, eu sou uma pessoa normalíssima, como qualquer um de vocês. A única diferença para os demais foi tornar-me numa sonhadora que um dia idealizou fazer! Apenas isso!
Como alguém um dia se referiu a mim, servindo-se de a letra de uma canção:
Há quem pinte ou fotografe o arco-íris… Eu procuro-o para o agarrar com as mãos!! E se no fim encontrar o pote de ouro… Distribuo-o por quem necessite!

Para conhecer mais o trabalho da Rising Child visite o site da Associação: risingchild.pt.


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