um pilar para a saúde física e mental.
Por Bruno Félix, @bruno_pt_felix
Com o crescente sedentarismo em contexto escolar e familiar, a atividade física assume hoje um papel central na saúde das crianças e jovens. O aumento do tempo passado em frente a ecrãs, associado à redução do movimento diário, tem contribuído para o aparecimento, cada vez mais precoce, de problemas físicos, emocionais e sociais.
Neste artigo, procuro esclarecer a importância da atividade física e do exercício físico, bem como o papel do treino de força na promoção da saúde física e mental em idades jovens.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado para as crescentes consequências nefastas do sedentarismo em crianças e jovens, frequentemente associadas ao tempo excessivo passado ao computador ou ao telefone. Os problemas de saúde física e mental são cada vez mais frequentes e devem ser combatidos desde cedo.
A OMS estima que:
- 1,3% dos adolescentes entre 10-14 anos apresentam depressão.
- 3,4% dos adolescentes entre 15-19 anos têm depressão diagnosticável.
- Depressão e ansiedade são das condições de saúde mental mais comuns nessa faixa etária.
- Transtornos mentais representam ~16% da carga global de doenças e lesões em jovens de 10-19 anos.
- Metade de todos os problemas de saúde mental começam por volta dos 14 anos de idade.
Outro fator que tem vindo a agravar estes números é o crescente isolamento social.
Muitas crianças e jovens passam grande parte do tempo em atividades solitárias — telemóvel, computador, jogos online — reduzindo o contacto presencial com amigos, a brincadeira ativa e o movimento natural do dia-a-dia. Este isolamento contribui para maior ansiedade, menor autoestima e ainda mais sedentarismo.
Se por um lado estes números são preocupantes, por outro sabemos hoje que a atividade física — especialmente o treino de força — é uma das intervenções mais eficazes para melhorar humor, atenção e bem?estar emocional.
Obesidade Infantil
- A prevalência de excesso de peso (incluindo obesidade) em crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos aumentou de cerca de 8 % em 1990 para 20 % em 2022.
- Em 2025, estima-se que 1 em cada 10 crianças e adolescentes em idade escolar (~188 milhões) sejam classificados como obesos globalmente — pela primeira vez mais do que os que são subnutridos.
Como o pai e a mãe podem verificar, os números são preocupantes. Deve ter em conta que situações como a obesidade tendem, na maioria dos casos, a acarretar outros problemas de saúde, como a diabetes, problemas cardiovasculares e questões relacionadas com a autoestima.
Grande parte destes problemas está associada ao aumento do sedentarismo e à diminuição da atividade física diária, especialmente em idade escolar.
Onde entra o exercício físico nesta equação?
São vários os estudos que têm sido realizados com vista a entender os benefícios do exercício físico em crianças e jovens.
Estudos que exploram treino de resistência, realizado sobre diferentes métodos, protocolos mas, em particular o treino de força. Este tipo de treino sempre esteve debaixo de alguns mitos: só adultos podem realizar, só serve para estética, vai prejudicar o crescimento das crianças,ou aumentar o risco de lesões musculoesqueléticas.
Grande parte destes mitos/receios tinha origem em má técnica, sobrecarga excessiva, equipamento inadequado, falta de individualização, falta de supervisão e interpretação errada de situações de lesão.
Hoje sabemos que o treino de força não só é seguro, como é recomendado pelas principais organizações internacionais.
O que hoje a ciência demonstra é que o treino de força é uma base importantíssima para melhoria da condição musculoesquelética e neural.
Treinos bem estruturados e sob supervisão adequada, além do ganho de força, trarão benefícios à densidade óssea, saúde cardiovascular, controlo de peso, redução de doenças metabólicas, aumento de autoestima e autoconfiança, propriocepção e coordenação, promoção de hábitos de exercício duradouros. Também a atenção, flexibilidade cognitiva e memória são beneficiadas.
Crianças mais fortes têm também maior facilidade em aprender novas habilidades motoras o que melhora o desempenho em desporto e no dia a dia.
Em jeito de conclusão, o treino deverá fazer parte do dia a dia da criança / jovem, e deve ser adequado à idade. O mais importante não é a carga, mas a técnica.
A estrutura do treino também deve ser adequada, podendo por exemplo ser “disfarçada” como uma brincadeira ou um jogo.
A escola é o local ideal para introduzir este tipo de treino, mas sempre sob a supervisão de um profissional.
Treino de força é uma poderosa ferramenta para a saúde física e mental de hoje e de amanhã.
Começar cedo é uma vantagem, não um risco.
Abaixo alguns artigos sobre este tema:
OMS: 1 em cada 7 adolescentes sofre com transtornos mentais
Social isolation among adolescents and its association with depression symptoms – PMC
Strength Training in Children: A Systematic Review Study – PMC
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