Acolher, validar e orientar: a influência da família no desenvolvimento emocional das crianças

“Atrás de uma criança que acredita em si mesma, está uma família que acreditou primeiro”

Matthew L. Jacobson

Desde o nascimento que estamos expostos à influência dos vários contextos onde nos inserimos e das pessoas que deles fazem parte. Somos todos seres que influenciam e são influenciados. Mas o primeiro contexto que exerce uma influência basilar é o contexto familiar. Este demonstra ser uma referência para as crianças e a bússola para o seu desenvolvimento.

No contexto familiar, as figuras de referência sejam elas pais, avós ou outros cuidadores têm assim um papel essencial e precioso: contribuir para um desenvolvimento emocional saudável da criança. Mas de que forma? Sabendo que estas figuras de vinculação são como modelos para as crianças, essa contribuição deverá iniciar pela própria autorreflexão de cada um: que exemplo estarei eu a dar ao meu filho com este comportamento? Ou com esta frase que digo de forma tão repetida?

Não, não queremos pais perfeitos. Queremos pais que se olham e que estejam em constante melhoria. Que sejam suficientemente bons. Que erram mas pedem desculpa. Que choram à frente dos seus filhos sem que achem que isso é uma fraqueza. Porque é na humildade de demonstrarmos quem somos e o que sentimos que os nossos filhos ficam mais próximos de nós.

Desta forma, é ao haver abertura ao diálogo, ao querer verdadeiramente saber e demonstrar interesse, e ao olhar de forma profunda com uma escuta ativa que as crianças começam a sentir-se mais à vontade para partilhar as suas próprias emoções e os seus pensamentos. É quando não têm medo da censura, do ataque, do “isso é tonto!” ou da indiferença, que baixam as suas defesas e se encontram com os pais nesta partilha tão sincera.

Mas o que os pais devem fazer nestes momentos tão preciosos? Como devem guiar conversas mais profundas que chegam do coração? Deverão começar por acolher. Por fazer uma escuta plena. Sem telemóveis ou televisões por detrás que vos façam desviar do que é realmente importante: aquele momento presente! Depois validar. Validar o que os vossos filhos vos trazem, legendar o que eles sentem, garantindo que isso é natural e faz parte, que todos nós também sentimos em algum momento da nossa vida, podendo até dar o vosso exemplo pessoal “percebo que estás triste. O pai também ficou triste por termos perdido o nosso cão”. E por fim orientar. Tal como de início referi, a família é a bússola orientadora das crianças. Deverá ser a que ensina o que devem ou não fazer, assim como, a que transmite valores e baliza através da imposição de limites. Portanto, para um desenvolvimento emocional ajustado, as figuras de vinculação devem guiar a criança para o que é ajustado e permitido fazer em momentos emocionalmente mais intensos. Que estratégias podem adotar quando uma situação semelhante voltar a repetir-se. De forma empática, olhar para a criança e para a situação de forma única e singular, perceber que não existem fórmulas mágicas transversais a todos os momentos e que é na descoberta que há o crescimento mútuo. Garantindo sempre que há espaço para o erro e para a falha, que não há avidez da perfeição com um peso demasiado elevado para a criança.

Porque é quando as crianças podem ser elas próprias, quando lhes são permitidas imperfeições e falhas, porque é quando se sentem menos julgadas para sentirem, pensarem e serem quem são que preparamos futuros jovens mais autoconfiantes e emocionalmente mais capazes. Por famílias mais contentoras, que validem e acolham as suas crianças.

Por Dra. Patrícia Cardoso, Psicóloga (CP 23575)

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Comentários

2 comentários a “Acolher, validar e orientar: a influência da família no desenvolvimento emocional das crianças”

  1. […] artigo anterior, tivemos a possibilidade de refletir sobre a importância da família enquanto base segura do […]

  2. Avatar de Dolores Matos
    Dolores Matos

    Parabéns Patrícia pelo teu artigo ???
    Tudo o que escreves é a realidade que todas as famílias deviam pôr em prática com as crianças e com certeza a sociedade futura seria muito melhor ?

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